• Hugo C. Melo Filho

O inimigo número um (parte 2)*

Atualizado: Mai 15

Hugo Cavalcanti Melo Filho

O Ministro Ives Gandra Filho, quem o conhece sabe, difunde um discurso vazio, pueril e preconceituoso, que desconsidera mesmo aspectos rudimentares do Direito do Trabalho. Quem o ouve falar, não pode crer que tenha alcançado a posição de Presidente do Tribunal Superior do Trabalho.

O Ministro Ives fala por si. A esmagadora maioria dos integrantes do TST e da magistratura trabalhista diverge, absolutamente, dele.

O Ministro Ives quer ser Ministro do Supremo. Porque lá ele poderá cumprir, de modo mais eficaz, o propósito de destruir o Direito do Trabalho. Mas nem o presidente golpista o quis por lá.

O Ministro Ives apóia o governo ilegítimo, que mandou para o Congresso projetos que exterminam os direitos sociais. Por isso, na condição de Presidente do TST, comparece a audiências públicas para dizer as maiores sandices, sem se preocupar em constranger a magistratura trabalhista. Foi o que fez, recentemente, ao acenar com a ameaça de venezuelização do Brasil, caso não seja aprovada a "reforma trabalhista". Ridículo!

No momento em que a magistratura trabalhista se articula contra a aprovação das medidas precarizantes, publica artigo atacando a Justiça do Trabalho e a ordem jurídica laboral.

O ministro Ives falta com a verdade ao culpar as normas trabalhistas, os juízes e os trabalhadores pelas mazelas da Justiça do Trabalho. Sabe que metade das três milhões de ações ajuizadas neste ramo do Judiciário se destinam à cobrança de verbas rescisórias. Ou seja, contra empresas que despediram os trabalhadores de forma arbitrária ou injusta e não pagaram o que a lei determina.

O Ministro Ives é fundamentalista religioso e elitista. É uma agente do ultraconservadorismo e do reacionarismo.

Está comprometido com a agenda do governo golpista que quer destruir a Justiça do Trabalho e o Direito do Trabalho. O Ministro Ives desconhece muitas coisas, entre elas, a força dos trabalhadores que quer tornar ainda mais vulneráveis.

Terá mais uma grande decepção.

* Artigo publicado, originalmente, em 22 de fevereiro de 2017.

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